Ministério Oásis 2016

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      Por que tantas pessoas que compõe a igreja se sentem descuidadas, dispensáveis e deixadas de lado? Tantas delas encolhidas num canto qualquer, chorando a dor e lamentando desventuras. As pessoas que mais precisam de socorro normalmente ficam escondidas, com medo, tímidas, sentindo-se indignas, ressentidas e desejando, ao menos, um abraço ou mesmo um sorriso.

      Por que tantas pessoas sentem desconfiança, indignas da graça e divididas dentro de si mesmas? Por que resolveram seguir o próprio destino sem ajuda da igreja e do direcionamento do Pai? Por que tantas brigas, conflitos e insuficiência de paz, remetendo a sentimentos como asfixia da possibilidade da alegria, a dor da ferida que não cicatrizou? E tudo culminando no sentimento doloroso, no âmago da alma, relacionamentos rompidos porque estão rompidas consigo mesmas, porque estão se sentindo separadas de Deus e permanecem amuadas num canto, porque não confiam em ninguém ou que alguém possa entender a sua dor.

      Por que as pessoas precisam de mecanismos de defesa? Aqueles que estão isolados pela dor e que foram forjados pela superação da própria angústia, têm necessidade de formar a própria “armadura” para proteger as suas feridas. Quando são criticados, retraem-se e, ainda com as mãos suadas e com pena de si mesmos, respiram e voltam a recuperar o fôlego. Colocam máscaras. para parecer que tudo está bem e vivem numa constante defensiva, um estilo de autojustificativa.

Por que as pessoas insistem na autodesvalorização?  Todos os que enfrentam esse processo, colocam-se na posição de alerta, não descansam, porque sempre acham que sua alma e sua reputação estão correndo perigo. O que realmente passa no fundo da alma é um grave processo de empobrecimento, enfraquecimento, uma inanição do coração. Uma dor contínua desde o dia em que não conseguem mais atrair o amor, a aceitação ou o elogio. Assim são as pessoas “feridas” por violências, abusos, escassez de amparo, lembrando que muitas dessas ocorrências aconteceram ainda na infância.

      Por que as pessoas trouxeram à tona a melancolia? Todos os que estão assim, remoendo suas dores, passam a viver um circuito sombrio e que muitas vezes sentem pena de si mesmos. Sentem-se as piores pessoas do mundo, muitas vezes vivendo numa convulsão interior, numa perturbadora ausência de paz, embora pareçam bem.

Muitos cuidadores também se descuidaram de suas próprias necessidades, ou não tiveram força e atenção para ver a dor ao seu redor. Muitos não extinguiram suas próprias dores, não tiveram coragem para admitir suas próprias fraquezas e buscarem ajuda para suas próprias feridas.

      A igreja existe para ser uma “casa de graça”, onde pessoas que tiveram suas feridas curadas, agora estendem suas mãos para cuidar das feridas de outros, assim como o Pai recebe de volta seu filho machucado e cuida dele (na Parábola do filho pródigo, Lucas 15). Esse Pai nos ensina a curar pelo abraço, pelo beijo e pelo acolhimento, com uma roupa que purifica, com a renovação da aliança e com uma festa que perdoa pecados e celebra o perdão.

Todo aquele que se sente cuidado por esse modelo de sacerdote, se torna um agente saudável. Um humano está disposto a lavar os vergões dos açoites desta vida... sem nada questionar e sem nada acusar. Um cuidador que não esmaga a cana que já está quebrada.

      As pessoas estão procurando quem lhes dê a importância de se dar importância!

Os que foram cuidados percebem que alguém se importa com a sua dor, que lhe dá atenção, tempo de qualidade e foco.

Quem foi cuidado sente que seu valor está sendo restaurado, que seus assuntos são importantes.

Todas as vezes que uma pessoa se sente cuidada, ela realça, na sua alma, a força da coragem e a estrutura da auto confiança.

O cuidado mútuo, a capacidade de ver o próximo com se vê a si mesmo, transforma filhos maltrapilhos em príncipes assentados ao redor da mesa.

      O objetivo do cuidador é restaurar e renovar. É o encontro da dor com o remédio que cura. É a capacidade de fazer de novo brotar o sorriso no rosto que quem só andava chorando.

Esse é o desafio do olhar do cuidador: olhar ao seu redor, no mesmo aprisco em que convive, e preocupar-se com os que estão perto de si. É ter a coragem de perguntar: o que se passa contigo, está precisando de ajuda?

Jesus nos ensinou a enxergar os que estão escondidos. Como nós, escondidos detrás de mesas, deitados em redes, molhando o travesseiro com tristeza e bebendo vinagre para sentir alívio de suas amarguras.

Ele, Jesus, o grande Pastor das ovelhas, esteve nos dias de sua peregrinação assentado, no meio de seus amigos, e desatou-lhes as sandálias e levou-lhes os pés. Nas feridas passou remédio e ofereceu bálsamo. Às viúvas e crianças deu-lhes pão e aos corações contritos ofereceu perdão.

      Onde, hoje, encontraremos os que querem se envolver, se compadecer? Porque muitos continuam isolados pela dor.

Cuidador e cuidado devem caminhar mutuamente em direção aos braços do Pai que nunca deixarão de estar abertos para a perfeita acolhida.

O CUIDADO MÚTUO
Pr. Ailton Carvalho - Conselheiro e professor de Arte Terapia